segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre as coisas que ela sabia.

E ela caminhou mais uma vez sozinha ao café mais próximo, sem emitir som compreensivo, digamos que eram sussuros, as vezes agudos, esses seriam deveras irritantes, até insuportáveis, se fossem audíveis, outras tantas vezes eram formas guturais de dizer o não dito. Certas vezes também, e não poucas, seu corpo inteiro tremia, era uma espécie de grito sufocante, e nessas horas ela era dominada meio que por completo. Digo eu nessas horas, porque na grande maioria das vezes ela se calava, portanto acredito que era essa a forma de estravassar o que sentia. Já que não tinha coragem de se pronunciar, coragem essa que as vezes lhe era burlada quando mais precisava. Estava doente, em estado terminal, mais isso não era mais importante. Saber que logo o sofrimento acabaria lhe acalmava de algum jeito. Chegou ao café. sentou-se como de costume em sua mesa preferida, aquela que ficava junto a parede e perto da janela. Dali podia ver a chuva lá fora, ah havia me esquecido, chovia muito nesse dia, mas do que o comum pra uma metrópole que esta acostumada a receber pancadas de vento e chuva acompanhada por tempestades torrenciais quase que toda tarde, aquele dia era diferente, algo no ar havia mudado, ou estava mudando. Mal sabia ela que quem estava prestes a se transformar estava ali, junto a janela, observando a chuva lá fora. Pediu ao garçon o de sempre, um café bem amargo com alguns bolinhos. Pensou até em pedir ovos com bacon, talvez um suco de laranja, mas rapidamente desistiu, o clima não era propicio pra isso. Enquanto esperava o pedido, as imagens mais uma vez vinham a sua cabeça, algo como sombras ao seu redor, tudo dando voltas, elas estavam andando sem nenhuma direção, ela no meio, assustada. Não era de hoje que tinha visões ou ouvia vozes, as sombras há seguiam, elas há achavam, sussurravam coisas pra ela, coisas que ela não queria saber, coisas que ela não devia saber. As vezes ela pensava que estava louca, mas como crescera em uma casa em que acontecimentos paranormais eram considerados de cunho religioso, e sua mãe podia prever nos sonhos acontecimentos futuros, ela era até que bem normal. O problema era não saber lidar com isso, era como houvesse algo dentro dela que fosse maior que ela mesma, alguma força.
- Seu Café, Madame. disse o servente em um idioma que era bem familiar a moça.
- Merci. Ela respondeu com os olhos cheios de lágrimas.
- Tudo bem? perguntou apreensivo, enquanto derramava o café na xícara.
- Oui, oui. ela repondeu um tanto quanto nervosa. O café. café. o som ecoava em sua mente. virou como que de supetão e tentou em vão segurar o objeto que a essa hora que já estava em seu colo, depois disso tudo ficou muito confuso. café por todo lado, toalha de mesa, café no vestido molhado.
- Pardon, Pardon. disse ele, que rapidamente se pós a tentar amenizar o estrago que havia feito. se tocaram. Sentiu tudo vibrar, já havia sentido isso antes. teria uma visão? ou desmaiaria? talvez os dois. Logo ela o viu, passado, presente e futuro em um segundo. Sabia que diante dela preocupado em reparar um erro banal estava sua alma gêmea, sabia que sua doença a mataria, sabia que ele morreria também, num acidente. E ela o amaria, talvez ela soubesse que sempre o tivesse amado, mas ele ia morrer, e lutar contra isso, era invão, se apaixonar agora de nada adiantaria, disso ela também sabia.

3 comentários:

  1. caracaa... muito bom cara. tu devia dar continuaçao. a parte que eu mais gostei foi: "na grande maioria das vezes ela se calava, portanto acredito que era essa a forma de estravassar o que sentia"

    ameeei *-*

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  2. Blog legal...^^
    to te seguindo!

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