sábado, 30 de outubro de 2010

Gosto de chuva.

Eu já te disse? É que eu sempre quis morar na sua rua.
Bom, eu ainda quero se você quiser.


Faz assim, me encontra agora lá esquina, te dou um beijo seco, talvez um martine gelado.
Vai com seu casaco vermelho porque já está fazendo frio e também leve um guarda chuva que hoje o sol desistiu de sair, e a água já está caindo leve.


Melhor, não leve, leve simplesmente os seus abraços partidos em dois, três e mais que eu levo o meu, e a gente anda agaradinho, assim bem juntinho embaixo da chuva leve, que a esta hora já deverá estar forte.

Mas de que importa a chuva meu amor, se eu estiver com você esqueço-a, esqueça dela também, só pensa em mim, pensa em meus braços partidos em dois, três ou mais.

Então pensa nos meus beijos perdidos pela respiração ofegante ou nos meus dedos gelados te tocando onde não se deve dizer, pelo menos não deveria, mas a essa altura todos já sabem.

Pense nisso, e pensar nisso me faz lembrar de como é bom estar contigo, quero te ver outra vez, queria ver como antes. Lógico, se você quisesse também. Mas de qualquer maneira, apenas vá.

On the beach.

Eu gosto de caminhar pela praia de fim de tarde quando a chuva se aproxima, trazendo água do céu e pensamentos de dentro da alma. Eu gosto de jeito como as ondas brincam de tica nos meus pés. E adoro como o vento começa a cantar melodias suaves e tristes ao ouvido. Eu sei do exato tom que é usado quando a melancolia começa a invadir o espírito e a nostalgia se instaura como poeira em casa vazia.
Vazia. Casa vazia. Mas a casa não está vazia, eu ainda estou aqui, quieto, calado, gritando em silêncio, ainda existe alguém aqui, eu. Mesmo perdido no imenso oceano a minha frente e dentro de mim.
Imensidão. Infinito. É esse teu nome? É assim que te chamam, coisa que se apodera quando nem mesmo pensei em permitir e me leva assim sem perceber por meio de águas turbulentas e oceanos imensos frente a mim. É tu que o fazes por meio de minhas lembranças fracas dando piruetas no céu e na água? deve bem o ser. Mas saber quem tu és muda a exata posição que tomo agora diante dessa situação? não, acho que não.
Mesmo assim é o que sinto aqui dentro de mim quando estou caminhando pela praia num fim de tarde e quando as ondas vêm brincar de tocar meus pés.

sábado, 2 de outubro de 2010

É queijo futurista?

Corre um boato por entre as bocas vadias, que as más línguas insistem em declarar falsa e sombriamente a cerca de algo que aconteceu a muito tempo, sobre alguém ou sobre mim, confesso, isso eu já não sei.

Mas algo que conta trechos do dia em que se fez o que jamais se deveria ter feito.

Eles dizem: "Cubram-se, é lepra contagiosa." E andam pomposos em suas suntuosas poses de arrogância e dor, e compelem o mar de nossos pensamentos e esta nação a lama, pobres almas podres, que nem sabem o que dizem.

O grupo de jovens pensantes que caminham com blusas vermelhas, riem-se quietos,
sabendo-se superiores a tudo isso.

E há quem queira a primeira pose de fascismo para si, mas eu não quero isso pra mim, eu prefiro à verdade, mesmo que essa me rasgue.

Por isso ao invés de me esconder da luz do sol ou da agua da chuva, eu corro feliz, beirando as possas no chão, assim como seus boatos que correm soltos.

É preferível correr livre, mas não fugindo de alguém ou de alguma coisa, correr para algo, pra felicidade encontrar, antes de se prender a um futuro que não leva a nenhum lugar.

E isso é tudo mesmo besteira da minha cabeça, ursos gigantes, em metrópoles de pedra e metal, sociedade hipócrita com base em saliva e papel, tem medo de ser o que é, enquanto o mundo continua girando com seu eixo solar parado no mesmo lugar.

Então, eis a explicação para quando eu estou num balcão e alguém me pergunta; " É de queijo?" eu aceno com a cabeça e sorrio, pensando: sim, é futurista.

Menina dos olhos do mar

E ela tem olhos de ressaca, que nem os da Capitu de Bentinho.

Tem olhos de guernica, olhos de guerra, guerra fria, cheia de ameaças, daquelas que tu sabes que vai perder antes mesmo de começar.

Ela tem um brilho amargo no olhar, sutil, doce, quente, olhos vibrantes, ligeiros e prontos pra dar um bote, sem nem ao menos esperar.

Olhos daqueles que te fazem perturbar, passar noites em claro, ela tem um tom leve de olhar, num jeito misterioso, como as sereias que chamam e te arrastam pro mar.

Ela é daquelas capazes de te enfeitiçar, prender, roubar...

É mulher demais, segura e certa demais, firme em si, por si, e só.

Muitos foram os que sucumbiram aos encantos de seu olhar, tantos como a espuma que se forma sobre a água do mar.

Ela é obra de Miló, delícia, filha das açucenas, quem pôs sua alma aí dentro?

Só te peço, por ela, não vá se apaixonar... quem brinca com o fogo tende a se queimar.

P/ K. M.